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Relendo a Saga Crepúsculo

em segunda-feira, setembro 28, 2020

Oi pessoal, como contei na resenha de Sol da Meia Noite, li a saga enquanto estava lançando, lá em 2008, eu tinha uns 15 anos. Mais de 10 anos depois resolvi reler e ver o que eu entendia diferente, sou daquelas que ama reler, em cada leitura percebo algo novo.
Algo que me incomodou e me chamou muita atenção é como a Bella se vê de forma muito inferior ao Edward, ela coloca ele em um pedestal da perfeição, enquanto ela não vale o chão que ele pisa. Amiga, se valoriza, cadê sua auto estima?! 

Em alguns momentos Edward não é só super protetor, ele age como se fosse dono da menina, isso não é saudável. O peso que cada um coloca sobre o outro é demais, como se fosse possível ser feliz apenas se estiverem juntos. Quando um está ausente, não existe vida. O primeiro amor pode ser avassalador, mas tem que se manter as amizades, família, individualidade... 

E o beijo forçado do Jacob?! Respeitar os limites do outro por que não é mesmo? Ou fazer chantagem emocional para conseguir o que quer! Aí fica difícil Jacob... 

Outra coisa, porque o Charlie tem que ser cuidado? Primeiro veio ela e depois a Sue. Charlie se o Edward aprendeu a cozinhar assistindo a um programa na TV, você também consegue (eu aprendi!) 

A supervalorização da pele branca, quase mítica e a exotificação da pele escura também me incomodou. A pele clara é delicada, linda, enquanto é pele escura é sensual, tem uma beleza exótica. Essa visão anda lado a lado com o racismo, e tem que se ter cuidado. Quando o Jacob ri como Bella parece ainda mais branca perto dele e ela fala para não fazer piadas racistas!!! Essa fala não envelheceu bem. 

Hoje em dia, conhecendo mais sobre vegetarianismo e veganismo, dizer que não comer carne e viver a base de tofu alimenta mas não satisfaz, para comparar com beber sangue animal, não foi uma comparação feliz.

Uma parte que me deixou muito irritada e até ofendida é como o Brasil é representado. Só existe o Rio de Janeiro e o Amazonas (onde vivem os indígenas), o nosso idioma soa como uma língua alienígena ou parece com espanhol! Ahhhh, até quando vão nos retratar assim! A forma como as indígenas amazonenses são retratadas é como seres bizarros, de pele escura, selvagens e esticados! 
As duas pareciam ter sido esticadas —longos braços e pernas, longos dedos, longas tranças negras, e rostos longos com longos narizes. Elas não usavam nada além de peles de animais —tapa-tudo e calças apertadas que estavam presas no lado com tiras de couro. Não eram apenas suas roupas excêntricas que as deixavam selvagens, mas tudo nelas, desde seus incansáveis olhos vermelhos até seus súbitos movimentos. Eu nunca conheci vampiros menos civilizados.
Representatividade não era uma pauta na época, é interessante ter o Billy que é cadeirante mas é só isso mesmo. Não existem personagens LGBTQ+, com corpos diferentes, pessoas negras sem ser indígenas, nada disso. E cuidado com a visão orientalista (aprendi sobre isso no Kpapo episódio Cyberativismo no Kpop), a forma preconceituosa de retratar países e pessoas asiáticas. 

E a Rosalie culpando a sua beleza pelo que aconteceu com ela!? Ah tá, seu noivo te agride e estupra porque você é bonita demais, tudo de ruim que aconteceu com ela foi culpa da beleza e não de um cara babaca. 

Muitas lembranças que eu tinha sobre a história eram sobre os filmes, já que vi recentemente e mais vezes, gostei de ao ler ver como algumas coisas são mais bem explicadas e melhor retratadas nos livros. Gosto da adaptação, acho excelente a escolha dos atores (apesar do Robert Pattinson ter manchando os filmes, olho pra ele e fico com raiva, acho ele muito grosseiro e mal agradecido, se achava a história tão ruim não devia ter aceito o papel! Ficar ofendendo os fãs e a história depois não foi uma atitude profissional), não consigo ler sem lembrar da imagem dos atores. 

Mas não foram só pontos negativos ou problematizações que eu reparei, tem pontos positivos também! 

Achei que no livro a explicação para castidade e virgindade foi melhor que no filme. Ainda me incomoda a necessidade do casamento antes da perda da virgindade de adolescentes, mas isso ainda é tabu e gravidez na adolescência é uma realidade até hoje. 

Vários elementos da mitologia dos lobisomens (ou metamorfos), vampiros, como funciona o governo dos Volturi, histórias e etc, eu não lembrava e foi ótimo ver como a autora criou um universo tão interessante e que podia ser mais explorado. 
Até hoje eu não entendo porque a autora parece não querer mais livros desse universo, mesmo depois do sucesso de Sol da Meia Noite! Queria tanto saber mais sobre a Alice e Jasper, os lobos e como ficou a alcateia com os dois alfas, a vida de Renesmee quando adulta com Jacob e o outro híbrido, Nahuel. E o tal Johan e os seus híbridos, os Volturi realmente foram atrás dele?

Tem tanto ainda a ser contado e explorado, fico muito frustrada pela autora não escrever mais sobre esse universo!
Outra coisa a que parei para reparar melhor são as capas e seus significados.
Assim como a romã de Sol da Meia Noite não foi uma escolha ao acaso, os títulos e as imagens contam um pouco sobre cada história.
Crepúsculo 
É o crepúsculo - Edward murmurou, olhando para o horizonte obscurecido pelas nuvens.
É a hora mais segura do dia pra nós. A hora mais fácil. Mas, também mais difícil, de certa forma...o fim de outro dia, o retorno da noite. A escuridão é tão imprevisível, você não acha? - ele perguntou, sorrindo tristemente. 
Eu gosto da noite. Sem a escuridão não poderíamos ver as estrelas
Crepúsculo são os instantes em que o céu próximo ao horizonte no poente ou nascente toma uma cor gradiente, entre o azul do dia e o escuro da noite. Normalmente, acontecem no instante em que o Sol, "ao nascer" ou "se pôr", encontra-se escondido porém próximo à linha do horizonte.

Já a capa, segundo Stephenie Meyer, a maçã representa o fruto proibido do livro de Gênesis, simboliza o amor de Bella e Edward, o que é proibido, semelhante ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como está implícito pela citação no início do livro. 
Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim,
Disse Deus: Não comereis dele,
Nem nele tocareis
Para que não morrais.
Gênesis, 3:3

 Representa também o conhecimento de Bella daquilo que o bem e o mal são.

Muito interessante que Sol da Meia Noite, a versão de Crepúsculo do Edward, também tenha um fruto proibido da capa. A romã foi a fruta que aprisionou Perséfone no reino de Hades, segundo o mito.
Lua Nova 
O céu estava completamente escuro. Talvez não houvesse luz da lua hoje - um eclipse lunar, uma lua nova.
As fases da Lua referem-se à mudança aparente da porção visível iluminada do satélite devido a sua variação da posição em relação à Terra e ao Sol. O ciclo completo, denominado Lunação, leva pouco mais de 29 dias para se completar, período no qual a Lua passa da fase Nova, quando a sua porção iluminada visível passa a aumentar gradualmente até que, duas semanas depois ocorra a Lua Cheia e, cerca de duas semanas depois, volta a diminuir e o satélite entra novamente na fase Nova.
Eventualmente, ocorre o perfeito alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua, o que dá origem a Eclipses. Um Eclipse Solar acontece quando a Lua passa em frente ao disco solar, podendo ocorrer somente durante a Lua Nova, enquanto que um Eclipse Lunar ocorre no momento em que a Lua passa através da sombra da Terra, o que pode ocorrer somente na Lua Cheia.

A fase da Lua Nova é a mais escura da lua, assim como essa será a fase mais obscura da vida de Bella.
Esse é um livro, para mim, muito difícil de ler e muito triste. 
Acho que a autora perdeu a oportunidade de mostrar como os amigos (como a Angela) podem ajudar nessas situações, como se afastar dos amigos por causa de relacionamentos amorosos é prejudicial e que não precisa haver competitividade feminina e é possível a amizade entre homem e mulher sem interesse romântico! 

Na capa temos uma flor, uma tulipa, perdendo uma de suas pétalas como uma gota de sangue, assim como uma das partes decisivas da história. 
Eclipse 
Antigamente eu pensava em você assim, sabia? Como o sol. Meu sol particular. Você compensava bem as nuvens para mim. 
Ele suspirou. — Com as nuvens, eu posso lidar. Mas não posso lutar com um eclipse.

Eclipse é quando ocorre o perfeito alinhamento da Terra, Lua e Sol. Um Eclipse Solar acontece quando a Lua passa em frente ao disco solar, podendo ocorrer somente durante a Lua Nova, o que faz todo sentindo, já que Jacob passou a ser o Sol de Bella e Lua Nova, enquanto Edward é como o Eclipse.

A fita partida da capa representa escolha de Bella, quando ela deve escolher entre seu amor pelo Edward e sua amizade com Jacob, ou seja a dificuldade em escolher e a tristeza de romper laços. Também representa a ideia que Bella não pode se separar totalmente de sua vida humana.
Amanhecer 

E as memórias penetrantes, perfeitamente lembradas: seu rosto quando eu abri meus olhos para minha nova vida, o amanhecer sem fim da imortalidade... aquele beijo... aquela primeira noite...
O nascer do sol, amanhecer, alvorada, aurora, alva ou alba é o momento em que o Sol aparece no horizonte, na direção leste, ocorre todos os dias em todas as regiões compreendidas entre os dois círculos polares, marca o início do dia, o título faz alusão a nova vida de Bella. 

Na capa temos uma Rainha de xadrez, representa a reviravolta do papel de Bella durante este livro, onde ela se torna parte importante na vitória dos Cullen.


Reparei e gostei também que no início dos livros já tem um spoiler do clímax, mas sem saber nada da história não atrapalha em nada, só deixa curioso! E no último livro, Bella ao invés de esperando a morte, está pronta para lutar. 


Temos que ter atenção também com a época que o livro foi escrito, as discussões que eram feitas, talvez vários elementos que eu destaquei geraram críticas, ou não já que eram vistos como normais. Os livros refletem os costumes de uma época, acho importante perceber o que não seria bem visto nos tempos atuais, mas entendendo o retrato da época.

Foi bom ter relido e ver como eu gosto da história, continua me deixando nostálgica, tenho carinho mas com ressalvas.
E vocês, também gostam de reler livros? Perceberam mais algum detalhe que eu deixei de fora? Me contem nos comentários o que acharam!
Beijos e até o próximo post! 

Sol da Meia Noite | Resenha

em sexta-feira, agosto 28, 2020

Oi pessoal, depois de mais de 10 anos, finalmente o livro da Saga Crepúsculo pela perspectiva do Edward saiu!!! Não resisti e vou contar, sem spoiler, o que achei!
Li os livros quando tinha uns 15 anos, tenho muito carinho pela história, li com meus amigos e acompanhávamos um site chamado Forforks que tinha traduzido o esboço vazado de Sol da Meia Noite. Ainda tenho o arquivo e são as primeiras 250 páginas do livro, com algumas alterações. Na época não sabia como a autora lidou com esse vazamento, e que não era legal consumir esse conteúdo.
Mesmo tendo muito carinho pela história, consigo perceber alguns problemas na história, algumas coisas que podiam ser melhores.
Então vamos começar a resenha pela capa, que mostra uma romã fazendo alusão ao mito de Perséfone e Hades. Esse mito, de forma geral, conta sobre Perséfone, a deusa da agricultura, que encantou Hades, o deus do submundo. A romã foi o fruto que a deusa comeu e a prendeu no mundo inferior, então um acordo foi feito: ela passaria 6 meses na Terra (que marca a primavera) e 6 meses junto a Hades (período do inverno). Segundo Edward, é como se ele fosse Hades e Bella a Perséfone, quanto mais tempo eles passam juntos, mas presa a ele e longe dos amigos e familiares ela fica.
Já na contra capa temos uma escultura de Eros e Psiquê, outro mito, sobre um deus e uma mortal. Afrodite, a deusa da beleza e mãe de Eros, sentia inveja de uma mortal considerada a mais bela, os homens deixavam de adorar a deusa para observar a beleza de Pisiquê.  Ela ordena ao filho que faça com que a mortal se apaixone pela criatura mais horrenda, ele acaba se apaixonando por Psique, mas essa trai sua confiança, e depois de muitos obstáculos conseguem ficar juntos. Psique representa a alma humana, purificada pelas adversidades.
Alguns capítulos tem o mesmo nome dos de Crepúsculo, achei muito bacana e acabei relendo para comparar. 
Tenho todos os livros em e-book, só Amanhecer e A Breve Segunda Vida de Bree Tanner que tenho físico também, na época li com uma amiga, ela que tinha todos os livros lançados (sim, eu li em 2008!)
Reparem que enquanto Crepúsculo tem 368 páginas, Sol da Meia Noite tem 770!
Em algumas partes até as falam são repetidas, mas de um lado temos a visão da Bella e do outro o do Edward.
Saber o que se passa na cabeça do Edward deu uma perspectiva completamente diferente para história, uma dimensão que faltava aos personagens, motivações e até mesmo humanidade.

Como vampiro, a vida de Edward era imutável, assim como ele. Nada tinha graça, parecia um limbo, mas depois que Bella entrou em sua vida tudo mudou, ele mudou, sua família mudou.
Ela me transformara mais do que eu achava que fosse possível mudar sem deixar de ser eu mesmo.
Bella achava o Edward um deus grego, maravilhoso, perfeito, forte e que não merecia seu amor, não tinha nada que pudesse interessar ele ou qualquer outro menino, auto estima lá embaixo!

Nesse livro ele tem personalidade, medos, paixão, desejos, ódio... 
Agora sim ele parece assustador e capaz de matar a garota, a forma como o cheiro dela tira ele do sério, faz ele quase perder o controle, parece que ela vai morrer no primeiro capítulo! 
Ele parecia antes tão sem personalidade e assexuado, agora vemos que não é nada disso! Ele quer abraçá-la, sentir sua pele, beijá-la, os mesmos sentimentos de um jovem apaixonado. 

Edward nasceu na Chicago de 1901 e foi transformado durante a guerra, quase morreu com Gripe Espanhola quando tinha quase 18 anos. Ele se lembra pouco dessa época, o único amor que ele teve experiência foi o da família, ela é seu primeiro amor e para os vampiros é algo muito mais intenso.

Nesse livro a autora conseguiu o que faltava nos outros, agora entendemos o que ele viu na Bella, algo que muitos questionavam.
Bella é uma garota tímida, reservada, muito responsável, coloca a necessidade de todos acima das suas, muito observadora e para muitos ela é sem graça. O fato de Edward não resistir ao cheiro dela, não conseguir ler seus pensamentos e ela ser tão diferente de todos em Forks, faz ela ser interessante e ele se aproximar, mas é a bondade, teimosia e beleza que fazem ele se apaixonar.
Os colegas, menos Angela, são mesquinhos, mas Bella é boa, gentil e um ímã para tudo de ruim! 

Sobre a família, pelos olhos do protagonista, eles se tornam mais humanos, entendemos seus sentimentos, seus passatempos, seu passado, seus desejos. Ele vê Carlisle e Esme como seus pais, e os outros como irmãos, como uma família. Adorei conhecer mais desses personagens, coisas que Edward não contou a Bella, várias memórias sobre sua família. 
No tempo livre, cada um tem seus hobbies: Edward toca música, Alice gosta de moda e costura, Esme de arquitetura, Rosalie de carros, Emmett de esportes...
Me apaixonei pelo Emmett, ele parece aqueles cachorros grandes que só tem tamanho, mas são uns fofos! A forma como ele logo sente o amor fraternal por Bella e quer protegê-la a qualquer custo é muito lindo. 
Jasper é um personagem muito interessante que eu queria saber mais. Agora sabemos como ele foi importante na situação crítica depois do jogo de beisebol! 
Rosalie é uma personagem difícil, muito fútil, vaidosa e egoísta, mas ainda sim consigo ter empatia pela sua situação. O seu desejo era se casar, ter filhos, netos, envelhecer ao lado da pessoa amada... então algo acontece e todos seus sonhos vão por água baixo. E ela vê que Bella é o que ela queria e nunca vai poder ter: ser humana e estar com apessoa amada, cheia de possibilidades, isso a magoa muito.

Entendemos a dinâmica dos poderes de Edward e Alice, como eles mantém a família segura de serem descobertos "ouvindo e vendo" tudo, percebendo se tem algo de errado a volta, e aproveitando para resolver situações mundanas, como dinheiro. 
Não lembrava sobre seu passado misterioso e fiquei muito curiosa querendo saber mais!

Os dons parecem tem um componente genéticos, além de serem características latentes quando humanos. Assim como Reneesme herdou algo semelhante ao poder do pai, Bella herdou ser um escudo de Charlie, já que Edward não consegue ler seus pensamentos com tanta facilidade como de outros humanos.
Edward se questiona como a combinação de Charlie e Renée levou a Bella, como a mente de ambos funcionam e o sangue. 
E como o personagens lê mentes e sabemos muito mais sobre cada personagem, sabemos mais sobre o relacionamento dos pais de Bella, a separação.

O lado ruim de saber o que todos pensam é que você pode começar a não gostar de alguns personagens: Jessica é muito maldosa e não gosta de Bella, Mike é bem babaca, já Rosalie é tão fútil e egoísta, sente ciúmes de Bella, como uma humana comum chamou atenção mais que ela!
Nesse livro vemos que o único que está bem com a situação de ser vampiro é Emmett, os outros se pudessem, preferiam ser humanos. 
Pela primeira vez em um século, eu estava grato por ser o que era. Ser um vampiro, em todos os aspectos — tirando o perigo em que isso a colocava —, de repente era aceitável para mim, porque foi isso que me permitiu viver o bastante para encontrar Bella.
Como eu disse, li aos 15 anos os livros, quando estava começando a namorar, me relacionei muito com o dilema de será que ela/ele gosta de mim? De não querer ficar longe, ser bem grude! hahaha Mas fica a dica, nunca se afastem dos amigos, não façam como a Bella que só lembra do Jacob quando o Edward termina com ela!
Me lembrei muito dessa época lendo esse livro, me senti nostálgica e com pena do vampiro, tão apaixonado e com medo de colocar a vida da garota em risco, sendo que ele era um risco para ela. Ele se martiriza e sofre muito com a ideia de por sua culpa algo acontecer com ela. Em alguns momentos é até cansativo essa culpa que ele sente, ele se acha egoísta por querer ficar com ela. Isso se reflete em Crepúsculo, em como às vezes ele é frio e mais reservado.
Mas isso era supostamente a coisa certa a fazer. Não parecia certo, mas eu não podia confiar nos meus sentimentos egoístas.
Outra parte que gostei foi o desenvolvimento da mitologia dos vampiros e lobisomens, algo que podia ter sido mais bem desenvolvido nos outros livros. Os seres criados pela autora são bem diferentes dos já vistos, mas acho que faltou desenvolver mais, contar mais sobre os detalhes. Sempre achei que ela tinha um material ótimo mas acabou desenvolvendo de forma rasa.

Eu ri muito quando Edward descobre que Bella entendeu tudo por causa do Jacob e ele sente pena do rapaz pela situação que ela o colocou! hahaha Os quileutes tem suas lendas sobre os vampiros e sobre a família Cullen, Jacob é descendente de um dos líderes, e mesmo os anciãos avisando do perigo, as gerações mais novas acham que tudo são apenas histórias. Gostei de saber mais sobre o tratado a partir da mente do Billy Black
Havia algo de muito... interessante na mente de Jacob Black. Era pura e aberta. Lembrava um pouco a de Angela, só que não tão reservada. De repente lamentei que aquele garoto tivesse nascido meu inimigo. Sua mente era uma das poucas em que era tranquilo estar. Quase serena.
Achei muito interessante como cada vampiro "sente a sede", como o cheiro da Bella é apelativo de uma forma diferente e desproporcional para Edward.
Eu não chegava sequer a interpretar a sede como o restante da minha família. Para mim, a sede era como um fogo ardendo. Jasper a descrevia como uma ardência também, mas para ele era como ácido em vez de chama, uma sensação química e abafada. Rosalie pensava naquilo como uma secura extrema, uma necessidade aterradora em vez de uma força externa. Emmett tendia a avaliar sua sede da mesma forma.
Em uma passagem, Bella fala sobre seus livros favoritos e os lugares que visitou através de suas leituras, achei muito parecido com uma personagem que eu amo, a Tessa Gray de As Peças Infernais da Cassandra Clare.
Havia um pouco de Jane Eyre nela, uma porção de Scout Finch e Jo March, algo de Elinor Dashwood e Lucy Pevensie.
O personagem vai de jovem apaixonado a perseguidor entranho, super protetor e agressivo em alguns momentos. Difícil defender ele ficar indo até o quarto da menina a noite ver ela dormir e ficar mexendo nas coisas dela pra conhecer ela melhor.

Achei alguns diálogos muito... juvenis. O que faz sentido pelo público alvo, ou não! Não sei se os jovens de hoje se interessaram pelo livro ou foi para os adultos resgatando uma nostalgia.
E achei muito engraçado a autora colocar elementos que remetem ao ano que o primeiro livro foi lançado, como prateleiras de CDs, aparelho de som... Muito anos 2000! 

Uma questão muito séria e presente em várias obras é construir caráter ou superação de personagens através de estupro. Achei muito pesado o quase estupro da Bella em Port Angeles por um estuprador em série, como acabamos descobrindo. Acaba servindo apenas para mostrar como Edward era um cara bacana, que tenta resolver a questão já que ele salvou Bella, mas e as outras mulheres?
No caso de Rosalie é ainda mais pesado, ela foi estuprada pelo noivo e seus amigos, depois se vinga e isso mostra uma superação da personagem.
Acho um tema muito sério, pesado e que acaba sendo tratado sem o cuidado necessário.
Esses foram os únicos pontos que me desagradaram um pouco.

No fim, gostei do livro e queria todos os outros na visão do Edward e de outros personagens, já pensou Lua Nova sob a perspectiva do Jacob!?! Como eu disse, a autora tem um material que dá pra explorar mais, para aprofundar e acho que o público quer mais. A autora quer escrever mais livros desse universo, sem ser focado no Edward, mas não será algo breve, infelizmente.
Me senti nostálgica e terminei o livro feliz, querendo mais.
O crepúsculo, de novo — refleti. — Outro fim. Mesmo que o dia seja perfeito, sempre tem um fim.
E aí, quem mais leu, o que achou?
Me contem nos comentários o que vocês acharam.
Beijos e até o próximo post


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